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Levantamentos de fauna: por que uma contagem não equivale à abundância
O registo de animais depende de como e quando se procura. As deteções ajudam a saber se uma espécie está presente, mas a ausência de detecção durante um levantamento não prova, por si só, que não viva naquele local.
Detetar não é contar toda a população
Um levantamento regista aquilo que os seus métodos conseguem detetar, não necessariamente todos os animais presentes. Se uma espécie não aparecer num levantamento, pode ter passado despercebida: a isto chama‑se deteção imperfeita. Por isso, uma contagem de observações não deve ser automaticamente confundida com a abundância real da fauna. As informações recolhidas em levantamentos de campo ajudam a apoiar a conservação e a gestão de parques nacionais. (National Park Service)
Mais buscas aumentam a confiança, mas não garantem a certeza
A probabilidade de detetar uma espécie num único levantamento depende de ela estar presente e ser encontrada. Repetir as buscas aumenta a probabilidade cumulativa de a detetar; ainda assim, pode subsistir uma pequena possibilidade de ela estar presente e não ter sido registada. O benefício de acrescentar levantamentos diminui à medida que essa probabilidade cumulativa se aproxima dos 100%. Por isso, os cientistas raramente podem afirmar que uma espécie está verdadeiramente ausente, embora um esforço suficiente lhes possa dar muita confiança nessa conclusão.
O método e as condições são importantes
Os levantamentos podem ser visuais ou acústicos, recorrer a câmaras ou drones, ou procurar ADN ambiental na água ou no solo. Cada método regista aquilo que consegue detetar: por exemplo, uma câmara preparada para animais do tamanho de um roedor ou maiores pode não detetar insetos e outras espécies minúsculas. Também podem passar despercebidas espécies se a busca ocorrer numa altura do dia ou do ano em que não estão ativas. Interpretar uma contagem exige, portanto, ter em conta que método foi utilizado, quando e com que esforço; por si só, estes dados não fornecem uma medida universal da abundância.
Uma não deteção pode ser um sinal, não uma prova
A ausência de uma espécie que se esperava encontrar pode alertar para um problema ambiental, como um habitat degradado ou um novo fator de stress que dificulte a sua sobrevivência. Mas a não deteção também pode dever‑se ao facto de os animais não terem sido encontrados durante os levantamentos. Uma interpretação responsável mantém abertas ambas as possibilidades e evita transformar a ausência de um registo numa afirmação segura de ausência ou declínio.
Fontes
- Who lives here? · National Park Service